| Bolivia
Contra el Gobierno, el Congreso y los “cívicos”, por la nacionalización del gas
Autor:
LOR-CI
Fecha:
25/5/2005
Fuente:
LOR-CI
Bolívia – Declaração política da LOR-CI
Contra o Governo, o Congresso e os "cívicos", pela nacionalização do gás
Coordenar e efetivar a mobilização nacional!
Apesar de suas diferenças e disputas, o Presidente, o Congresso e os "cívicos" buscam um acordo dos de cima para enfrentar melhor a mobilização dos trabalhadores e do povo e defender os interesses das petroleiras. Os chamados de Carlos Mesa para um "acordo nacional" apenas pretende "unificar" a Bolívia burguesa e "oficial" contra a Bolívia das maiorias nacionais, a nação operária, camponesa, indígena e popular, e para isso estão dispostos a reprimir como no dia 24 contra os manifestantes em torno da Plaza Murillo e em outros pontos de mobilização. Apostam que a mobilização se desgaste, debilitando os setores da vanguarda, confiando em que a negociação com os dirigentes conciliadores, como os do MAS, lhes permitirá evitar um novo levante nacional. Entretanto, a força das últimas jornadas de mobilização e da paralisação em El Alto mostra que é possível assestar um golpe decisivo no governo e no regime pró-imperialista.
Nacionalização do gás sem indenização e sob controle operário!
Evo Morales não disse a verdade quando afirmou que com a nova Ley de Hidrocabonetos e com as modificações que proporá no Parlamento se teria conquistado a "recuperação" do gás. Com isso quer justificar sua traição à luta pela nacionalização do gás, mas a verdade é que o gás continuará nas mãos da Petrobras, Repsol e demais monopólios. A única maneira de recuperá-lo efetivamente será impondo com a mobilização a expulsão das transnacionais, a nacionalização dos hidrocarbonetos sem indenização e sob controle dos trabalhadores e dos povos originários.
O povo trabalhador de El Alto mostra o caminho. Coordenar, aprofundar e nacionalizar a mobilização. Altenhos, cocaleiros de Yungas, camponeses de Rio Abajo, mineiros e outros paralisaram o centro de La Paz e sitiaram a Plaza Murillo na terça-feira (24) enfrentando a repressão. À tarde, o reunião ampliada das juntas de vizinhos altenhas ratificou a paralisação por tempo indeterminada e propôs radicalizar e aprofundar as medidas. Os trabalhadores do aeroporto pararam, obrigando a suspensão de vôos. Outros setores, como os mineiros de Huanuni, anunciam novas ações e os bloqueios camponeses começam a ocorrer em vários pontos do Altiplano. Os protestos se estendem a Oruro, Cochabamba e outras cidades. Deve-se coordenar efetivamente as mobilizações! Para preparar a greve geral política com bloqueio nacional das rotas de circulação, com a tomada dos campos e refinarias, assim como das empresas "privatizadas" por seus trabalhadores, organizando a autodefesa de massas contra toda ânsia repressiva na linha de constuir as milícias operárias e camponesas.
Por uma Assembléia Popular!
A COB, a COR e a Fejuve altenhas, a FSTMB e demais organizações em luta devem convocar urgentemente uma Assembléia Popular composta por delegados de base e com mandato de cada fábrica, mina, bairro popular ou comunidade, garantindo também representantes das correntes políticas operárias, camponesas e originárias, para decidir como preparar efetivamente uma grande luta nacional unificada e como impor uma saída operária e camponesa.
Nem Mesa nem o Congresso nem qualquer "saída" golpista!
A gravíssima crise política nacional, o esgotamento e desprestígio de um Governo estremecido e o ascenso da própria mobilização estão trazendo ao centro do debate o programa de quem deveria governar o país. E este tema começa a ser discutido entre os trabalhadores e o povo mobilizados. Evo Morales e o MAS sustentam Carlos Mesa e defendem o Congresso em nome da "defensa da democracia", usando como argumento os rumores de golpe e tratando por todos os meios de impedir que um embate de massas derrote o governo. O MAS atua como "ala esquerda" do regime. Todavia, apesar de suas críticas, Solares e outros dirigentes não levantam uma proposta política de classe.
Defendemos a COB da reacionária campanha da mídia, nos consideramos parte daquela e acreditamos que a COB poderia ter um grande papel se decidisse unificar e preparar política e organizativamente a mobilização nacional. Porém, lamentavelmente, o companheiro Solares exige que Mesa se vá e se feche o Congresso, apelando ao suposto "patriotismo" dos militares e pedindo uma solução "cívico-militar". Esta política funesta não foi discutida nem aprovada nas bases da COB. Alimentar ilusões em que as Forças Armadas ou a Polícia que têm as mãos sujas com o sangue dos mártires de Outubro possam "colocar-se ao lado do povo", somente pode trazer confusão, desarmando os trabalhadores contra qualquer ameaça repressiva ou golpista.
Por um governo provisório das organizações operárias e camponesas!
Somente este poderá garantir uma Assembléia Constituinte revolucionária!
Não se pode permitir que a saída seja imposta pela classe dominante, através do próprio Mesa, com uma nova "sucessão constitucional" para que assuma Hormando Vaca Diez ou Cossio, ou através de eleições antecipadas que seriam outra armadilha burguesa para ganhar tempo. E muito menos pela via de uma eventual "solução" golpista contra os trabalhadores e o povo. Por isso, deve-se efetivar a luta por um governo provisório das organizações operárias e camponesas que ao mesmo tempo será o único que poderá garantir uma Assembléia Constituinte revolucionária, isto é, verdadeiramente livre e soberana contra a autonomia reacionária que os "cívicos" cruzenhos [de Santa Cruz de la Sierra] pretendem impor a todo custo, e contra a assembléia manipulada que Mesa quer negociar com o MAS. Uma Assembléia organizada segundo a vontade dos trabalhadores e camponeses, para debater uma solução operária e popular aos problemas nacionais como a terra e as demandas dos povos originários, a renacionalização do gás e das "privatizadas", o emprego e o salário, a saúde e a educação e o não pagamento da dívida externa.
Os setores combativos devem começar a coordenação
As organizações combativas, como as juntas de vizinhos altenhas, os trabalhadores mineiros de Huanuni, o magistério pacenho [de La Paz] e outras têm que tomar a iniciativa – que os dirigentes como Evo, Felipe Quispe e Solares não querem tomar – convocando outros setores, tal qual as Federações do Trópico, o MST, o Bloco Oriente etc., a se somarem ativamente à mobilização, dando imediatos passos na coordenação e exigindo à COB, à CSUTCB etc. que unifiquem e convoquem a Assembléia Popular. Existe milhares de dirigentes combativos das organizações de base e lutadores dispostos a fazer todo o necessário para vencer. Devem ser chamados a se agruparem para dar esta batalha no interior dos sindicatos, impondo a mais ampla democracia operária e lutando pelas propostas para a mobilização, como as que propomos aqui. Assim, além disso, se começaria a criar as bases de uma nova direção revolucionária dos trabalhadores, necessária para avançar pelo caminho aberto em Outubro para a vitória da Bolívia operária e camponesa, indígena e popular.
Por uma grande Juventude Cobista
Para dar novas forças à COB e às organizações sindicais, para criar um poderoso e combativo destacamento na luta pela nacionalização do gás, incorporando plenamente essa nova geração de filhos do povo trabalhador que está se forjando nas lutas desde Outubro, propomos impulsionar a formação de uma grande Juventude Cobista, uma organização ampla de jovens, militante e antiimperialista, construindo-a em cada fábrica ou distrito mineiro, em cada bairro popular, centro de estudo ou comunidade. Chamamos os dirigentes sindicais e populares e as correntes de esquerda a impulsionar conjuntamente esta tarefa.
La Paz, 25/05/2005
LOR-CI – LIGA OBRERA REVOLUCIONARIA POR LA CUARTA INTERNACIONAL
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